Os servidores públicos estaduais e distritais representam 1,6% da população brasileira, ou 3,128 milhões de pessoas, de acordo com a Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic) — Perfil dos Estados Brasileiros 2012, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No topo entre as 27 Unidades da Federação pesquisadas, o Distrito Federal aparece com o maior número de residentes nessa condição: 5% dos moradores trabalham para a administração local. “A relação é natural, tendo em vista que o governo distrital desempenha papel de estado e de município”, ressaltou Vânia Pacheco, gerente da pesquisa do IBGE. Ceará (0,7%) e Bahia (0,9%) são os estados com menores percentuais de funcionários públicos no total de população.
O Governo do Distrito Federal conta com 108.633 servidores, segundo o levantamento. Mas, apesar de possuir o maior contingente de funcionários em proporção à população, o DF fica atrás em outros indicadores, como o nível de instrução da mão de obra. Dos empregados públicos locais, 49,8% possuem nível superior ou pós-graduação, índice que coloca Brasília em 16º lugar entre as unidades da Federação.
Nesse quesito, os maiores percentuais são encontrados em Santa Catarina (74,3% do total), em São Paulo (68,4%), em Goiás (63,2%) e no Paraná (61%). “Embora não esteja entre os primeiros, o DF está bem no ranking. É uma unidade nova. A sua formação inicial foi basicamente de trabalhadores não acadêmicos. E chegou em pouco mais de 50 anos a esse número significativo de mão de obra especializada”, argumentou Vânia.
No cenário das ocupações, 83,7% dos servidores estaduais brasileiros estavam, em 2012, na administração direta e 16,3%, na administração indireta. Essa é a primeira edição do Estadic. O estudo do IBGE tem a intenção de agregar informações das gestões estaduais a partir da coleta de dados sobre temas como recursos humanos, conselhos e fundos estaduais, política de gênero, direitos humanos, segurança alimentar e nutricional e inclusão produtiva, com base nos registros de gestores estaduais de todos os estados e do Distrito Federal.
Segurança – Bons salários e segurança no emprego têm sido os atrativos para pessoas de todas as idades optarem pelo serviço público. “O chamariz é a estabilidade, sem dúvida. Um servidor não é demitido se não cometer as falhas previstas na Constituição. O trabalhador da iniciativa privada pode ser dispensado a qualquer momento sem justa causa. No caso de Brasília, há também um motivo a mais: a sensação de que, estando mais perto do poder, o cidadão tem inúmeras chances de ascensão profissional e de aumentar ainda mais os ganhos”, assinalou o advogado especializado em concurso Sérgio Camargo.
O professor Ernani Pimentel, presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio dos Concursos (Anpac), afirma que as administrações estaduais precisam de pessoal para manter a máquina funcionando e combate o discurso de analistas do mercado financeiro sobre gastos excessivos dos governos com pessoal. “É propaganda daqueles que querem ganhar dinheiro com serviços terceirizados. Os cargos vagos devem ser urgentemente preenchidos”, afirmou Pimentel.