Servidores públicos planejam mobilização contra adiamento de reajuste
Ontem, o Fonacate, organização que reúne sindicatos de servidores públicos no âmbito federal, estadual, distrital e municipal, aprovou em assembleia extraordinária a realização de mobilizações nacionais contra a decisão anunciada pelo governo federal de postergar o reajuste de salários dos servidores civis, de 2018 para 2019.
Rudinei Marques, presidente do Fonacate e do Unacon Sindical (Sindicato Nacional dos Auditores e Técnicos de Finanças e Controle), avalia que o governo poderá ter dificuldades para implementar algumas medidas anunciadas. Ele citou, entre elas, o teto remuneratório de até R$ 5 mil para servidores em início de carreira, diante da necessidade de atrair profissionais qualificados para áreas complexas como a diplomacia e analistas do Banco Central (BC) e do Tesouro Nacional.
Além do adiamento dos reajustes, os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo de Oliveira, anunciaram a proposta para que os salários iniciais no Executivo sejam limitados a R$ 2,8 mil (nível médio) e R$ 5 mil (nível superior); a alteração da alíquota de contribuição previdenciária de forma progressiva, para até 14%; a redução de gastos com a ajuda de custo e o auxílio-moradia; e a extinção de 60 mil cargos vagos.
“Passamos dois anos negociando com o governo, participando de diversas reuniões no Ministério do Planejamento, realizando assembleias com nossas categorias, para agora o governo decidir, no meio do caminho, que não vai pagar o que foi acordado. Onde fica a segurança jurídica?”, questionou Rudinei Marques. “A jurisprudência diz que uma vez publicada a lei de reajuste, tem-se o direito adquirido. Não vamos ficar parados”, disse o sindicalista, conforme o site do Fonacate.
Na visão do sindicalista, a postergação de reajustes pode criar um “esqueleto no armário” para a próxima administração, com aumento de custos, caso o governo seja obrigado pela Justiça a pagar juros de mora, correção monetária, honorários advocatícios e custos judiciais aos trabalhadores.
“Acompanhamos com atenção e apreensão a crise econômica e fiscal, e sabemos que é o momento de fazer um ajuste nas contas, mas o governo resolveu escolher o servidor como ‘bode expiatório’ da crise num momento em que despeja bilhões de reais para obter apoio político para a manutenção do poder”, afirma Marques.
O governo também aumentou na terça-feira a meta de déficit fiscal do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) para R$ 159 bilhões neste ano e no próximo.
Sindicatos querem ir à Justiça e prometem greve contra ajuste fiscal
Após o governo anunciar uma série de mudanças que afetam as regras do funcionalismo público, sindicatos de servidores começaram a se manifestar. Já há casos de entidades dispostas a levar a questão à Justiça, como a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), ou mesmo prometer greve e manifestações, como a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condserf). As principais críticas são ao adiamento do reajuste salarial e ao aumento da contribuição previdenciária que, na avaliação da entidade, representa uma redução indireta de salário.
Segundo Flavio Werneck, vice-presidente da Fenapef, a entidade acionou o departamento jurídico para estudar as possibilidades de contestar as medidas, assim que elas se concretizarem (ainda não se sabe se por meio de projeto de lei ou medida provisória). A estratégia deve ser protocolar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e uma ação em primeira instância, para tentar garantir uma medida liminar, de urgência, que impeça as mudanças.
Em nota, o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado, que reúne carreiras de gestão, como funcionários do Banco Central, e auditores da Receita Federal, também criticou a medida.
“Sem desconhecer a séria crise por que passa o Brasil, as entidades que compõem o Fonacate entendem que a precariedade das contas públicas do Governo brasileiro deve ser atribuída às suas reais justificativas. Ao mesmo tempo em que anuncia o “pacote de maldades” ao funcionalismo público, o Governo trabalha no Congresso Nacional para a aprovação de um perdão de dívidas de cerca de R$ 543 bilhões, por meio do novo Programa de Refinanciamento de Dívidas (REFIS), a criação de um fundo para financiamento de campanhas eleitorais de R$ 3,7 bilhões e a liberação de bilhões em emendas parlamentares”, afirma o documento.